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História Alternativa

Cruzadas em Jerusalém: uma histórla alternativa

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Reino de Jerusalém.jpg

O reino de Jerusalém.


Introdução Editar

No reino de Jerusalém, instituído pelos cruzados em 1099, existiam duas grandes tendências. A primeira tendência defendia uma postura conciliadora, através de pactos com os poderes muçulmanos e do desenvolvimento de alianças externas. De ponto de vista religioso, preconizava uma política de tolerância com os muçulmanos e os judeus. A segunda tendência era politicamente avessa a quaisquer acordos com o Islão e era religiosamente exclusivista. Eis o relato imaginário de um reino de Jerusalém alternativo, que se afirmou, apesar de todas as dificuldades, como uma pátria no qual coexistiam lado a lado cristãos, judeus e muçulmanos, em plena Idade Média. Um reino de paz e consciência.

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Balduíno IV.

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Saladino.

O reino de Balduino IV Editar

Em 1174, o rei Amalrico de Jerusalém morreu e sucedeu-lhe o seu filho Balduíno IV, um adolescente de 13 anos. Embora dotado de uma fortaleza e inteligência extraordinárias, a sua saúde física era precária, dado que contraiu lepra. O cronista Guilherme de Tiro, nomeado tutor e docente de Balduíno, adorava o jovem monarca: “ O menino, então com nove anos, foi entregue aos meus cuidados para ser instruído em estudos liberais. Dediquei-me ao meu pupilo real. Ele era de formosa aparência e continuava a fazer progresso nas letras, e cada vez mais prometia desenvolver uma disposição adorável. Era um excelente cavaleiro. Tinha mente aguda e boa memória.” Devido ao facto de Balduíno IV ser menor de idade, a regência do reino de Jerusalém foi assumida pelo conde Raimundo III de Trípoli, primo do rei, que tentou restaurar a estabilidade no reino, nomeando o tutor real Guilherme como chanceler. Entretanto, o pesadelo estratégico que sempre perseguira o reino de Jerusalém materializou-se: Saladino, o governante muçulmano do Cairo, uniu de forma progressiva, mas firme, a Síria, o Egito, o Iêmen e a maior parte do Iraque num poderoso sultanato islâmico em torno de Jerusalém. Raimundo de III Trípoli, na qualidade de regente do reino, ganhou tempo ao negociar uma trégua com Saladino. Mas a estabilidade interna do reino de Jerusalém era minada pelo conflito cada vez mais aceso entre duas grandes fações políticas. A primeira grande tendência, conhecida como o “partido dos barões”, era liderada por Raimundo III. Era defensora do pragmatismo para assegurar a sobrevivência do reino, através de pactos com os poderes muçulmanos e do desenvolvimento de alianças externas, como por exemplo com o Império Romano do Oriente. De ponto de vista religioso, preconizava uma política de tolerância com os muçulmanos e os judeus. Contava com o apoio dos principais setores da nobreza jerosomilitana, dos hospitalários e de uma parte dos templários. A segunda tendência era corporizada pelo denominado “partido da corte”, assim chamado porque se reunia em torno da rainha-mãe Inês de Courtenay. Era sobretudo constituído por nobres chegados da Europa ansiosos para obter riqueza e gloria. Consideravam as propostas de pactuar com o Islão como uma traição e opunham-se á celebração de alianças com o Império Romano do Oriente. Os seus membros mais destacados eram Joscelino III, conde titular de Edessa e irmão da rainha-mãe, Reinaldo de Chatillon, senhor da Transjordânia, e Guido de Lusignan. Entretanto, o problema de sucessão ficou resolvido pelo nascimento do príncipe Balduíno, filho da princesa Sibila, irmã do rei, e de Guilherme de Monferrato, um nobre italiano que se tinha tornado conde de Jafa e Ascalão. Contudo, Guilherme de Monferrato não conheceu o filho, dado que morreu de malária em junho de 1177, deixando Sibila grávida com o futuro rei Balduíno V. A rivalidade entre ambas as tendências converteu-se em conflito aberto em 1180. A princesa Sibila estava viúva. O «partido da corte» obteve uma vitória ao arrancar do rei autorização para que Sibila casasse em segundas núpcias com Guido de Lusignan. Além disso, a rainha-mãe Inês conseguiu que o seu partidário Heráclio, bispo de Cesareia, ascendesse ao patriarcado de Jerusalém, o lugar cimeiro da hierarquia eclesiástica do reino. Raimundo III e o «partido dos barões» ficaram na defensiva. Aparentemente com uma posição preponderante, os membros do «partido da corte» mostravam cada vez mais a sua arrogância, mesmo que isso colocasse em causa a política geral do rei e a segurança do reino. Foi o caso de Reinaldo de Chãntillon, senhor da Transjordânia, que aproveitou o seu feudo fronteiriço para atacar as caravanas que se deslocavam entre o Egito e a Síria e que passavam no seu território ou nas áreas proximidades. Organizou igualmente uma frota que pirateava o Mar Vermelho aterrorizava os peregrinos muçulmanos que iam para a Meca. Tentou inclusive por duas vezes – sem sucesso – atacar Meca e Medina. Para ele, o ódio e a oposição absoluto ao Islão eram um dever sagrado. Como seria de esperar, Saladino reagiu e pediu explicações ao rei, considerando que estes atos constituíam uma violação grosseira das tréguas negociadas. Balduíno IV reagiu e repôs a sua confiança no «partido dos barões», liderado por Raimundo III, que se tornou no principal conselheiro do monarca. No entanto, o agravamento da saúde frágil do monarca provocou uma nova confrontação política, nomeadamente a questão da designação da regência quando falecesse, dado que o herdeiro do trono era uma criança. Balduíno IV designou Raimundo de Trípoli como futuro regente, devido á crescente aversão que tinha pelo cunhado Guido de Lusignan e caso o seu herdeiro falecesse sem descendência, determinou que a designação do futuro rei fosse feita por uma comissão constituída pelo papa, pelo imperador bizantino e pelos reis da França e da Inglaterra. A História factual mostra que o «partido da corte» reagiu energicamente e promoveu um verdadeiro golpe de Estado, conseguindo tomar o poder na sequência da morte de Balduíno IV, desencadeado uma série de acontecimentos que levaram ao colapso final do reino de Jerusalém, em 1187. O ponto de viragem da História contrafactual é a postura de princesa Sibila, irmã do rei Balduíno e mãe do herdeiro Balduíno V. Como tinha sido referido, Sibila tinha casado com Guido de Lusignan, um dos membros mais prominentes do «partido da corte», devido à influência da sua rainha-mãe Inês de Courtenay. Guido de Lusignan revelou-se um marido agressivo e possessivo, o que provocou o desgosto e a ira de Sibila. Além disso, o seu fanatismo intransigente pareceu-lhe cada vez mais perigoso para o futuro do reino. Até então dividida entre o carinho pela mãe, a líder do “partido da corte”, e o afeto pelo irmão, o rei Balduíno IV, Sibila tomou uma decisão arrojada. Decidiu apoiar o «partido dos barões», de uma forma discreta, mas decidida. Aproximou-se de Raimundo III e sobretudo de Balian de Ibelin. O ilustre barão Balian de Ibelin era um dos nobres mais prestigiados do reino. Para além da sua valentia e capacidade estratégica, era um homem inteligente e engenhoso. Sabia falar e escrever fluentemente em latim, grego e árabe. Na administração dos seus domínios senhoriais, era conhecido pelo seu sentido de justiça, pela promoção da coexistência pacífica entre cristãos, judeus e muçulmanos e pelas suas medidas de fomento do povoamento e das atividades económicas. Para além de ser um membro proeminente do «partido dos barões», tinha um conjunto de contactos externos, quer com o Império Bizantino quer com os poderes muçulmanos. O rei Balduíno IV tinha-o incumbido de missões diplomáticas, nas quais revelou a sua competência e lealdade. Como recompensa dos seus serviços prestados, foi nomeado senhor de Nablus. Da aproximação política entre Sibila e Balian, resultou rapidamente um amor proibido. Balian era um homem formoso, afável e inteligente. Por seu turno, Guido era um homem agressivo e insolente. Os dois aliados, ou antes, os dois amantes, começaram para empenhar todos os seus esforços para afastar o «partido da corte» do poder. Pressentindo o caráter fatal da doença que o atormentava cada vez mais, Balduíno IV alimentou a intenção de casar a sua irmã Sibila com Balian de Ibelin, Também não lhe era estranho o carinho que a sua irmã devotava a Balian. Em julho de 1184, a rainha-mãe Inês de Courtenay morreu em Acre. O «partido dos barões» considerou que era chegada a altura para vencer o campo adversário. Em agosto de 1184, Balduino nomeou Balian marechal do reino, ou seja, responsável máximo da defesa militar. Esta decisão desagradou profundamente Guido de Lusignan e os seus colegas do «partido da corte», que reforçaram os seus esforços conspirativos para assumir o trono real. Procurando provocar diretamente o «partido da corte», Balian propôs que o rei tomasse a decisão de colocar as guarnições da Transjordânia na sua dependência direta do marechal, ou seja, de Balian, alegando a relevância de coordenar a defesa fronteiriça De uma forma temperamental, Reinaldo mobilizou as suas tropas em Kerak e Guido de Lusignan rumou a Jerusalém com um esquadrão de cavalaria. Mesmo outros membros influentes do «partido da corte», como Joscelino III, conde titular de Edessa, e o patriarca Heráclio, afastaram-se destas iniciativas mais radicais. O rei Balduíno V considerou estes atos como crimes de lesa majestade e ordenou a prisão de Guido de Lusignan e Reinaldo de Châtillon, entre outros. Balian, encabeçando as tropas reais, enfrentou as forças militares afetas a Guido de Lusignan e Reinaldo de Châtillon. Guido de Lusignan foi capturado em Betânia, após os seus cavaleiros terem sido derrotados. Em Kerak, Reinaldo de Châtillon resistiu. Mas a população, com o apoio de uma parte de guarnição, revoltou-se e entregou Reinaldo a Balian. Habitualmente clemente e tolerante, Balduíno IV teve que tomar decisões difíceis. Mas a independência e a sobrevivência do reino tinham que ser preservados. Guido de Lusignan e Reinaldo de Châtillon foram julgados sumariamente e executados. Como medida de apaziguamento, Joscelino III, conde titular de Edessa, e o patriarca Heráclio, e outros membros destacados do «partido da corte» foram poupados. Foi o que aconteceu a Geraldo de Ridetori, mestre da Ordem dos Templários, que estava próximo do «partido da corte», devido a divergências com Raimundo de Trípoli. Sentindo a mudança no rumo de acontecimentos, acabou por apoiar o «partido dos barões», que tinha já a simpatia de uma grande parte dos templários, muitos dos quais achavam que o reino de Jerusalém só poderia manter-se através de uma coexistência negociada com as potências presentes na região. A postura apaziguadora do rei, aconselhado por Balian e Raimundo, desempenhou um papel essencial. Em 24 de dezembro de 1184, véspera de Natal, assinalou-se o casamento de Sibila e Balian de Ibelin. Foi a última grande alegria do rei Balduíno IV, cada vez mais enfermo, que alterou o testamento. Com o conselho de Raimundo da Trípoli, ficou determinado que a regência do reino fosse assumida conjuntamente por Sibila e Balian e que em caso de morte de Balduíno V sem descendência, Sibila seria a rainha.

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Coroação de Balduíno V.

O reinado breve de Balduíno VEditar

Em 16 de março de 1185, Balduíno IV morreu e o seu sobrinho Balduíno V tornou-se rei, com Sibila e Balian como co-regentes. Na qualidade de co-regentes, Sibila e Balian procuraram reforçar as defesas do reino. Cada vez mais se aperceberam de que a salvaguarda da independência do reino carecia de reformas profundas. Contudo, a saúde de Balduíno V era frágil, tendo falecido em 1 de julho de 1186. Em 20 de julho de 1196, o patriarca Heráclio depositou a coroa na cabeça de Sibila. Durante a cerimónia de coroação, chamou Balian para ser coroado com ela. O «partido dos barões» tinha triunfado.

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Sibila, rainha de Jerusalém

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Balian de Ibelin, rei de Jerusalém


O reinado de Sibila e Balian Editar

Os novos reis tinham dois grandes desafios. Um era alcançar uma paz duradoura com Saladino, a principal potência muçulmana do Médio Oriente. O outro era fazer do reino de Jerusalém um verdadeiro Estado, dotado de uma unidade política genuína. Desde a criação do reino, em 1199, os sucessivos monarcas não tinham impedido a consolidação dos poderes senhoriais- Limitavam-se a liderar as operações militares com os recursos que os senhores e as ordens militares lhes forneciam e as tropas que conseguiam recrutar nos domínios régios, para além das unidades de cruzados que afluíam à Terra Santa. Contudo, progressivamente, formou-se uma corrente de membros da Suprema Corte influenciada pelas ideias jurídicas e políticas do direito romano que defendiam que o rei deveria ser um líder político soberano e não somente um primum inter pares. A Coroa deveria ser a autoridade suprema responsável pela paz e pela justiça, uma conceção que era partilhada tanto pelo direito romano como pelo direito islâmico. Sibila e Balian começaram por promulgar um conjunto de leis gerais, aplicáveis a todo o reino. Posteriormente, começaram por organizar uma verdadeira administração política do território e em organizar as finanças do reino, com base na economia citadina. No que respeita à política externa, Sibila e Balian celebraram um pacto com o papado, assumindo o compromisso da concessão de uma soma anual. Foram ainda assinados tratados de aliança com o Império Romano do Oriente, o Reino da Pequena Arménia e o Principado de Antioquia. Em 1 de março de 1190, foi assinado com Saladino o Tratado de Pela, na Transjordânia, que estabeleceu uma paz permanente. Saladino reconheceu a independência e a integridade territorial do reino de Jerusalém. Como contrapartida, Sibila e Balian aceitaram a restituição da mesquita da Al-Aqsa ao culto islâmico e a liberdade dos muçulmanos peregrinarem pacificamente a Jerusalém. Foi autorizada a fixação de número limitado de muçulmanos e judeus (50 famílias de cada confissão) na Cidade Santa. Contudo, o monte do Templo, incluído o Domo da Rocha, permaneceu sob soberania cristã. Foi igualmente reconhecida a liberdade de culto para cristãos, judeus e muçulmanos, quer no reino de Jerusalém, quer no império de Saladino. A escolha de Pela foi especialmente simbólica. Pela foi a cidade que acolheu os cristãos de Jerusalém que fugiram às guerra judaico-romanas nas décadas de 60 e 70 do século I da nossa era. Era uma cidade na qual coexistiam lado a lado judeus, cristãos e pagãos. Depois da conquista islâmica, na século VII, passou também a incluir muçulmanos. O papa Celestino III, um homem conciliador, ratificou o tratado, através da bula Sancta Ierusalem, de 5 de julho de 1190, criando condições para a paz na Terra Santa.

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